Abandonada pela mãe, moradora de Simões Filho venceu barreiras e superou ausência da família

“Aqui eu tive a chance de ser outra pessoa na vida”

Autor: Jerffeson Brandão

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Adriele dos Santos, de 25 anos, mora atualmente no Bairro Cristo Rei, em Simões Filho

A história que vamos contar é de Adriele dos Santos. Uma jovem de 25 anos que passou boa parte de sua vida no orfanato em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Certo dia nasceu Adriele uma menina de personalidade forte. Sua família era muito simples, as lembranças de sua infância não são alegres, pois a mãe a abandonou nas mãos de uma mulher que estava na igreja Universal localizada no Aquidabã em Salvador. Sensibilizada, a mulher criou Adriele até os seus 11 anos de idade, depois a entregou ao conselho tutelar que a encaminhou para um orfanato. O tempo foi passando, Adriele foi crescendo, foi vencendo barreiras, os medos, as dificuldades, os traumas e aos 16 anos constituiu uma família, casou-se com um rapaz e saiu do orfanato para dar seguimento a sua vida.

O tempo até que ajudava Adriele esquecer por uns instantes aqueles problemas que a vida lhe oferecera. Ela ficou casada durante 8 anos e o que mais marcou foi a morte de seu esposo. Desta união teve três filhos.

“Esse orfanato me deu chance de ser outra pessoa na vida. Eu não queria fazer coisas erradas, nunca quis – se não fosse o abrigo – não sei o que seria de mim hoje. No orfanato eu estudei, fiz cursos de informática e bordado. Aqui eu aprendi muita coisa boa, principalmente a ajudar próximo”. Disse Adriele.

Adriele contou que atualmente ela tem a sua casa própria no Bairro Cristo Rei, também localizada em Simões Filho. A jovem de 25 anos é voluntária no mesmo orfanato que a acolheu quando ela mais precisou. Hoje ela vive com uma pensão que o marido deixou e declarou não ter vergonha de ter vivido em um orfanato.

“Na minha identidade tenho pai e mãe ignorado, morei no orfanato e não tenho vergonha de dizer isso. Eu lutei e estou aqui – sou uma pessoa de bem. Peço que os governantes não deixem esse orfanato fechar – acho isso um descaso total – é o que eu penso. Sai eleição e entra eleição e ninguém muda nada – eu voto porque é obrigatório -nenhum dos lados faz nada”. Finalizou Adriele.

O objetivo de contar a história de Adriele é mostrar o quanto é importante manter as portas do único orfanato de Simões Filho abertas. Adriele viveu no abrigo e hoje ela ajuda outras crianças que tiveram historias como a sua. Você também pode fazer a sua parte.

O único orfanato de Simões Filho, o Lar Irmã Benedita Camurugi, fica localizado na Praça da Bandeira, Ao lado do Ministério Público/Restaurante Itus. Conheça o trabalho e ajude. 39 crianças vivem no local. Clique aqui, leia, entenda e veja a situação do Lar que corre risco de fechar as portas em Simões Filho.