ALERTA: Salvador e Região Metropolitana pode ter racionamento de água em dois meses

Autor: Diego Adans

Publicada em


Do Aratu Online, parceiro do Simões Filho Online

“Estamos enfrentando a pior seca dos últimos 100 anos na Bahia”

A afirmação nem um pouco otimista é do presidente da Embasa, Rogério Cedraz. O discurso alarmante é um reflexo do atual cenário que vive o estado e pode, inclusive, culminar num possível racionamento de água em Salvador. Apesar das chuvas registradas nos últimos dias na capital baiana, os níveis das barragens que abastecem a cidade se mantém abaixo do esperado.

“Para recarregar os mananciais que abastecem Salvador e parte da RMS, é preciso que chova na bacia do recôncavo norte, na região de Camaçari, Mata de São João e Dias D’Ávila”, explica o presidente da empresa pública que faz a gestão do fornecimento de água.

Caso, de fato, seja necessário implantar racionamento no abastecimento de água de Salvador e Região Metropolitana (RMS), Cedraz  revelou ao jornal A Tarde, que a Embasa “há muito tempo” já tem estudos prontos. São várias alternativas avaliadas, mas a concessionária trabalha com a possibilidade de dividir a cidade em setores e, ao longo da semana, cada um deles ficar um dia ou 12 horas desabastecido.

Ele revelou ainda que Salvador e RMS, diante do volume que há nos reservatórios, têm um prazo “de 45 a 60 dias de continuidade”.  No entanto, isto não significa que daqui a dois meses haverá de fato o racionamento. “Não temos a condição de previsibilidade total. Uma série de fatores influenciam, mesmo que não chova, mas se tiver um tempo todo nublado e não haja evaporação, se prorrogam os processos”, afirmou.

A situação está sendo avaliada, a cada dez dias. “Depende do volume de água que eu vou ter que tirar do sistema. Se porventura precisarmos chegar até esse ponto que é o limite, está tudo equacionado”, ressaltou.

Dados fornecidos ao Aratu Online pela Embasa revelam que a barragem de Pedra do Cavalo – responsável por cerca de 60% do abastecimento de Salvador -, está com 62,88% da sua capacidade total de acumulação. O restante do sistema é abastecido pelas barragens de Joanes I (atualmente com 85,18% de sua capacidade total), Joanes II (36,63%), com menor contribuição dos reservatórios de Ipitanga I (41,81%) e Ipitanga II (30,91%).

A cidade conta ainda com a barragem de Santa Helena que, no ponto de captação atual, situado no rio Jacumirim, encontra-se com 59,96% da sua capacidade total. Esse reservatório reverte água para Joanes II. Quando considerado o volume útil, calculado entre o nível máximo e o nível de captação da água, os reservatórios apresentam atualmente os seguintes percentuais de armazenamento: Pedra do Cavalo (22,85%), Joanes I (68%), Joanes II (8,08%), Ipitanga I (20,09%), Ipitanga II (30,62%) e Santa Helena (10,65%).

 Veja vídeo:

AÇÕES

Os números preocupam e deixam em alerta a Embasa, que tem investido e apostado fortemente em três táticas: 1) conscientização da população; 2) combates às fraudes (leia-se ‘gatos’ de água) e investimento em tecnologia.

Na última quarta-feira (12/4), por exemplo, com apoio das polícias Civil, Militar e do Departamento de Polícia Técnica (DPT), a empresa realizou uma operação especial de combate às ligações clandestinas de água em diversos bairros. Na ocasião, foram flagrados ‘gatos’ de água que abasteciam pontos de lava a jato na rua Sérgio de Carvalho, na localidade do Vale da Muriçoca, na Federação.

“Estamos observando que existem muitas ligações clandestinas em Salvador e região metropolitana. A partir do momento que evitamos o uso indevido da água, o volume distribuído para os consumidores regulares aumenta”, explicou Israel Martins, gerente comercial da Embasa na unidade da Federação.

A outra aposta da Embasa é na publicidade. Além de campanhas nas diversas mídias sociais, a empresa lançou inclusive um site: http://www.eueconomizoagua.com.br/ . Na página virtual, de cara, o  slogan: “Sem Chuvas na Bahia, precisamos do seu apoio. Economize água. Vamos enfrentar essa crise juntos”.

 Veja o vídeo educativo:

Segundo Rogério Cedraz,  a Embasa também investe na infraestrutura de sua rede. Na compra, por exemplo, de equipamentos para fazer a reversão do lago de Santa Helena para o rio Jacumirim que abastece a barragem Joanes II. A medida custou R$ 2,5 milhões e, de acordo com a companhia, conseguiu aumentar em 4 mil litros por segundo a vazão de água para o rio.

O fornecimento de água para indústrias também foi reduzido e 14 poços estão sendo perfurados em um área próxima de uma das estações de tratamento da água que abastecem Salvador. O custo das perfurações pode chegar a R$ 70 milhões, e a expectativa da Embasa é de que a medida aumente o volume de água disponível em cerca de mil litros por segundo.

Como obra de maior porte, a empresa já lançou o edital de licitação da obra da primeira etapa da ampliação da captação na barragem de Santa Helena, com recursos orçados em R$168 milhões. Essa obra prevê a implantação de uma adutora de água bruta com extensão de 10,7 km, em paralelo às duas adutoras já existentes, além da instalação de cinco equipamentos de bombeamento novos na estação elevatória de água bruta existente e de melhorias em sua infraestrutura.

Considerando-se a totalidade do empreendimento (que é dividido em quatro etapas), a ampliação do sistema de transposição das águas de Santa Helena para a barragem de Joanes II tem previsão de elevar a produção de água em volume equivalente a 50% da atual demanda do sistema.

EM ALERTA

Estão em regime preventivo de racionamento os municípios de Vitória da Conquista, Belo Campo, Queimadas, Santaluz, Senhor do Bonfim, Jacobina, Jaguarari, Caldeirão Grande, Andorinha, Itiúba, Ponto Novo, Filadélfia, Seabra, Brotas de Macaúbas, Ibitiara, Novo Horizonte, Bonito, Palmeiras, Tapiramutá, Entre Rios e Morro do Chapéu, além das localidades de Angico (distrito de Mairi), Umbuzeiro (distrito de Mundo Novo) e Altamira (distrito de Conde).