Câmara cria 14.419 cargos federais, quase 4 vezes o que Temer prometeu cortar

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A Câmara dos Deputados aprovou a criação de 14.419 cargos federais, quase quatro vezes mais postos de trabalho que as 4 mil vagas comissionadas que Michel Temer prometeu enxugar. As informações são da coluna Painel, da Folha de S. Paulo. De acordo com o jornal, a aprovação passou batida até por deputados, que não perceberam que aprovaram a medida em meio a ‘pauta-bomba’, que vai impactar os cofres públicos em R$ 58 bilhões e foi votada e aprovada na madrugada de quinta-feira (2).

Ela estava no projeto de lei que concedeu aumento aos servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), uma autarquia que é vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Para passar a valer, o projeto deve ser aprovado pelo Senado e será necessária a realização de concurso público para preencher as vagas. Ainda segundo a Folha, a maior parte dos cargos é para técnicos administrativos em educação, com 4.732 vagas. Há ainda 52 postos para o Instituto Brasileiro de Museus e 516 analistas para o Comando do Exército.

Aprovação de pauta-bomba pacifica relação com servidores, afirma Temer
O presidente interino, Michel Temer (PMDB), afirmou na quinta (2) que a aprovação da “pauta-bomba” pelo Congresso pacifica a relação do governo federal com os servidores. “Isso pacifica a ação do governo com esses servidores por dois, três ou quatro anos. É um aumento discreto que praticamente quase não cobre a inflação. É útil para o governo, é útil para os servidores”, disse Temer, em entrevista ao telejornal “SBT Brasil”.

O pacote de reajuste para o funcionalismo federal terá impacto de ao menos R$ 58 bilhões até 2019. O aumento, segundo Temer, era “desejado há muito tempo” e era algo “ajustado no governo anterior”. A medida, com apoio do governo, ocorre após a equipe econômica de Temer apresentar a expectativa de fechar 2016 com um rombo de R$ 170,5 bilhões nas contas públicas.

Questionado se pretende propor aumento de impostos, Temer afirmou que “descartado não está, mas se for possível evitar a imposição de impostos, eu o farei”. O peemedebista disse que depende dos cálculos que sua equipe econômica estão fazendo para saber da necessidade de aumentar a carga tributária.

Temer disse ainda que ministros envolvidos na Operação Lava Jato “sairão [do governo], não há menor dúvida disso”.
Questionado sobre a legitimidade do processo de impeachment a que responde a presidente afastada, Dilma Rousseff, Temer respondeu que “o que eu posso dizer é que ‘pedalada’ é violação da Constituição”, referindo-se às pedaladas fiscais que embasam o pedido de impeachment da petista.

O presidente interino afirmou ainda que uma eventual antecipação do julgamento no Senado, conforme pretende a comissão especial do impeachment na Casa, seria em “benefício para o país”. “Ficar nessa situação de transitoriedade não é útil para a senhora presidente, que fica fazendo campanha pra voltar, e não é útil para o governo, que é olhado como se fosse provisório.”