Cantora denuncia truculência e humilhação no Hospital de Simões Filho; “Nenhum médico nunca me tocou como aquele animal”

"Nenhum médico nunca me tocou como aquele animal" disse.

Autor: Redação

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Cantora Anny Keroz

“Eu fui no inferno e voltei”, disse a cantora Williane Alexandre Silva, de 33 anos, conhecida popularmente como Anny Keroz.  A moradora do Centro de Simões Filho utilizou as redes sociais para relatar uma atitude truculenta e humilhante ocorrida no Hospital Municipal de Simões Filho, na manhã da última segunda-feira (10/12). A artista procurou a unidade de saúde ao sentir fortes dores, após ter passado por procedimento cirúrgico, na semana anterior, na mesma unidade de saúde.

Cantora Anny Keroz

Em contato com o SIMÕES FILHO ONLINE, Anny Keroz contou que passou por uma Histerectomia total no hospital da cidade. Histerectomia é uma operação cirúrgica da área ginecológica que consiste na remoção do útero. Após passar pelo procedimento cirúrgico, ela teve alta para se recuperar em casa, mas no último sábado (08/12), passou mal e retornou ao Hospital Municipal de Simões Filho, onde nessa ocasião viveu a experiência mais traumática de sua vida.

Tudo começou com péssimo atendimento na triagem. “Eu esperei uma hora pra ser atendida. Eu estava recém operada e não poderia nem ficar sentada ali na entrada da emergência – estava sentido fortes dores –  já começou o erro aí. A própria médica falou que meu caso era grave – era cirúrgico e não deveria ficar na recepção. A médica me examinou superficialmente e disse que ninguém poderia me examinar porque tinha feito cirurgia e ainda estava aberta. Ela foi categórica em falar que só meu cirurgião poderia me examinar. Então ela me informou que iria me internar e pedir a regulação para fazer exames de abdome total e uma ressonância, pois o hospital da cidade não faz esse tipo de exame”, conta

Acontece que Anny ficou no hospital de sábado até terça-feira e não conseguiu fazer exames. Segundo Anny, mesmo fazendo uso de medicamentos a base de morfina, a medida que as horas se passavam, a dor ia aumentando. Por diversas vezes ela pediu que a equipe plantonista entrasse em contato com o seu cirurgião, para que o mesmo pudesse reavaliá-la, mas as enfermeiras se recusavam a fazer o contato alegando que o profissional não teria disponibilidade de ir ao hospital.

O trauma

Na segunda-feira (10/12), pela manhã, a paciente informou que sua mãe procurou o setor de assistência social, bem como a administração do hospital para saber se a regulação de Anny já havia sido efetivada, mas não obteve nenhuma informação. A tarde, ela foi surpreendida por um ginecologista obstetra que chegou na sala em pleno horário de visita e a obrigou a realizar um exame íntimo, na frente de várias pessoas.

“Entrou um médico na sala, abriu assim uma cortina que estava do meu lado – boa tarde senhora, seu médico que me mandou. Ele chegou juntamente com uma enfermeira – muito grossa também e me disseram que eu tinha que fazer exame de toque. No meio de todo mundo, em pleno horário de visita, ele fez o exame. Eu fui exposta a isso na frente de todos”.

Além do constrangimento, Anny afirma que sentiu muita dor, como nunca havia sentido antes na vida. Ela chega a classificar a maneira como ocorreu o exame como “estupro”.

“Com ignorância, ele introduziu dois dedos na minha parte intima, que eu fui no inferno e voltei. Nenhum médico nunca me tocou da forma como aquele animal me tocou. Será que ele não tem mãe?”, questionou Anny.

“Eu senti a maior dor, me sentir e me sinto humilhada. Eu fui violentada, isso é estupro de vulnerável. As pessoas que estavam no leito comigo viraram a cara por vergonha”, revelou ela.

No dia seguinte, a paciente voltou a ser avaliada, desta vez, pelo seu médico cirurgião, Dr. Daniel, que segundo ela informou que o outro profissional não tinha autorização para realizar exame de toque nela. Ao constatar que Anny tinha adquirido infeção urinária, o cirurgião prescreveu novos medicamentos e liberou a paciente para que ela se tratasse em casa, marcando uma nova consulta para alguns dias depois. Nesse momento a cantora está em sua residencia – sob repouso – utilizando uma sonda.

Abafando o caso

Alguns dias depois da alta, Anny conta que a direção do hospital entrou em contato com ela pedindo que a mesma comparecesse a unidade hospitalar para uma conversa com o diretor geral, Maicon Barreto. Ao ter acesso ao seu prontuário, a paciente verificou que não consta o exame de toque realizado pelo ginecologista obstetra. Para ela, essa omissão é uma tentativa do hospital de “abafar o caso”.

“Eles deletaram, arrancaram a página do fato ocorrido comigo na segunda e eu estou aqui com o psicológico abalado, com as minhas partes íntimas machucadas. […] eu tentei conversar com a diretoria, mas eles passam o pano, escondem. Para todos os efeitos não aconteceu nada”, disse ela.

Anny conta que por diversas vezes o diretor da unidade de saúde pediu desculpas para ela. No entanto, apenas pedir desculpas não vai amenizar o trauma que ela passou. Ela quer justiça.

“Eles ficaram tentando me convencer que o procedimento que o médico fez era correto. Mas, e a ética médica cadê? Eu quero que vocês me digam. Eu fui para lá conversar com eles e me pediram desculpas. Foi só o que o diretor pedia para mim. Desculpa tira a minha dor? Desculpa apaga a vergonha? Desculpa apaga a humilhação? Não”.

A cantora simõesfilhense afirma que formalizou uma queixa de abuso sexual contra o médico genecologista e agora aguarda que a justiça determine uma punição para o profissional.

Hospital se defende

O SIMÕES FILHO ONLINE entrou em contato com a assessoria de comunicação do Hospital Municipal de Simões Filho (HMSF), e por meio de nota, o órgão admitiu ter realizado o exame de Toque na paciente, contudo, a unidade de saúde garantiu que “todo procedimento foi acompanhado por uma enfermeira, que solicitou aos acompanhantes presentes na Ala Feminina, que ocupavam o local no momento, a desocupação por alguns instantes para que o exame pudesse ser realizado, além de puxar a cortina para que não houvesse qualquer constrangimento para a paciente, priorizando a todo instante sua integridade física/psicológica”.

A nota também diz que “todo atendimento prestado foi realizado por profissionais qualificados com segurança, humanização e agilidade”.

Confira nota do Hospital na Integra:

No dia 08 de dezembro de 2018 (sábado), a paciente Williane Alexandre da Silva deu entrada no Hospital Municipal de Simões Filho (HMSF), estando no 10° Dia de Operada (10DPO). Após realizar uma cirurgia de Hesterectomia Laparoscopia, nesta unidade, a paciente retornou sentindo dores – sintoma que pode ocorrer no pós-operatório, levando em consideração o nível do procedimento, bem como a capacidade de recuperação de cada pessoa, que varia de forma singular.

Dito isto, a paciente foi prontamente atendida pela equipe de emergência do HMSF, sendo necessária a realização de alguns exames laboratórios para garantia de estabilização do quadro e melhor recuperação da paciente.

O médico que prestou atendimento a paciente também identificou a necessidade de realização de um exame mais específico com um Ginecologista / Obstreta, profissional totalmente habilitado para um procedimento considerado padrão, que é o exame de Toque, cujo objetivo se resume a uma melhor avaliação do quadro.

Salientamos que todo procedimento foi acompanhado pela enfermeira Cinthia Caroline, que solicitou aos acompanhantes presentes na Ala Feminina, que ocupavam o local no momento, a desocupação por alguns instantes para que o exame pudesse ser realizado, além de puxar a cortina para que não houvesse qualquer constrangimento para a paciente, priorizando a todo instante sua integridade física/psicológica.

O Hospital entende que a paciente passou por uma cirurgia delicada e assegura que todo atendimento prestado foi realizado por profissionais qualificados com segurança, humanização e agilidade.

De qualquer forma, todos os fatos decorrentes pela paciente estão passando por apuração.

Por fim, voltamos a afirmar que a conduta desta unidade hospitalar foi cumprida com o máximo de respeito, como sempre acontece, e que todo procedimento está registrado em prontuário, sendo os fatos aqui expostos munidos de provas.

Agradecemos a oportunidade em expor os acontecimentos em sua totalidade e nos colocamos à disposição para maiores esclarecimentos.