Confira algumas consequências do uso de máscaras faciais contra o coronavírus

Foto: Ilustrativa

Um cuidado que todos devemos obedecer ao sair na rua durante a pandemia do novo coronavírus é o de usar corretamente a máscara facial de pano. Mas se as mãos podem ficar ressecadas de tanto lavar para prevenir-se contra a COVID-19, a doença provocada pelo vírus, será que o uso das máscaras também não pode irritar a pele?

Sim, é possível. Inclusive existe um termo chamado “maskne”, que se refere justamente à acne que é desenvolvida na região onde uma máscara é usada.

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O professor de dermatologia da Escola de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade George Washington nos Estados Unidos, Adam Friedman, explicou que o problema mais comum é uma vermelhidão facial na distribuição geométrica da máscara, com maior destaque para a borda.

“Essas áreas geralmente são sensíveis ao toque e qualquer creme ou loção aplicado daria a sensação de picada, já que a barreira da pele foi afetada e no local da inflamação, os nervos sensoriais são hipersensíveis ao estímulo externo”, completou o professor de dermatologia.

As possíveis causas da “maskne”

– Acne mecânica

A manipulação física e a pressão de uma máscara na pele podem desencadear a acne. Segundo Friedman, a combinação entre fricção (atrito), oclusão (fechamento) e o estresse emocional da COVID-19 são a receita perfeita para o desenvolvimento da acne.

Por se tratar de uma doença inflamatória crônica que resulta em uma perturbação crônica da barreira da pele, qualquer estresse na pele ou no organismo de maneira geral pode agravar a condição, completou o professor de dermatologia.

O dermatologista Craig Kraffert apontou que o estresse é conhecido por disparar não somente crises de acne no rosto, como também de eczema (reação alérgica inflamatória com vesículas, crostas e coceira na pele), dermatite seborreica (doença de pele que provoca manchas vermelhas que descamam) e rosácea (condição que causa vermelhidão e, em alguns casos, inchaços pequenos, vermelhos e com pus no rosto).

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“Os meios pelo qual o estresse gera essas condições não é inteiramente entendido, mas respostas hormonais podem exercer um papel. Usar máscaras tende a piorar os males na pele. Juntos, o estresse e a máscara atuam sinergicamente para piorar os distúrbios da pele”, completou Kraffert.

– Miliária (brotoeja)

Ela pode ser desenvolvida devido à oclusão e ao suor que fica embaixo da máscara. Kraffert explicou que usar máscara facial altera o microbioma local da pele e submete a pele coberta por ela a níveis elevados de dióxido de carbono (CO2), aumento da umidade, temperatura mais alta e mais bactérias e microrganismos provenientes da boca e do sistema respiratório.

A brotoeja resulta diretamente de uma resposta do sistema imunológico às células mortas da pele retidas, bactérias e sais do suor presentes nas aberturas da pele onde não deveriam estar, explicou Friedman.

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– Rosácea

A alteração do microbioma da pele promovida pelo uso da máscara facial também pode piorar ou desencadear a rosácea, apontou Kraffert. O dermatologista explicou que a condição é uma doença inflamatória crônica que resulta de uma disfunção da barreira da pele, de uma resposta imune local hiperativa e de nervos hipersensíveis ao redor dos vasos sanguíneos.

Esses nervos hipersensíveis ao redor dos vasos sanguíneos fazem com que eles sejam persistentemente ampliados, o que resulta em uma vermelhidão facial crônica, acrescentou Kraffert. “Os mesmos problemas emergem ao usar uma máscara o dia todo em termos de agravamento da doença”, completou o dermatologista.

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Uma vez que não dá para deixar de usar as máscaras faciais de pano ao sair na rua para se proteger contra a COVID-19, já que além delas serem obrigatórias em diversos locais é preciso se preservar da doença e do que o novo coronavírus pode causar ao organismo, o jeito é procurar o auxílio do dermatologista para saber como tratar uma irritação ou outro problema de pele que já tenha sido causado pelo uso do acessório de proteção.

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