Governo poderá incluir remédios contra Covid-19 em lista de controle

O Ministério da Economia poderá incluir, em sua lista de controle de produtos críticos, os medicamentos destinados ao tratamento de pacientes com Covid-19. A sinalização foi feita nesta quarta-feira (3) pelo secretário de Acompanhamento Econômico da pasta, Geanluca Lorenzon, em videoconferência da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as ações de combate ao coronavírus.

“Criamos um grupo para acompanhar e garantir o abastecimento dos produtos críticos. A lista vem do Ministério da Saúde ou de demandas de associações do setor privado”, explicou Lorenzon.

A intenção dos integrantes da comissão externa é fazer com que o assunto caminhe o mais rapidamente possível. O coordenador do colegiado, deputado Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), informou que a comissão deverá enviar um ofício ao governo com a indicação para que os medicamentos tenham o controle efetivo de preço.

Altos preços
Na reunião, representantes de hospitais públicos e privados reclamaram da falta e do alto preço de medicamentos utilizados na sedação de pacientes que necessitam ser intubados. “Dentro dos medicamentos de sedação, três drogas estão em falta. 82% dos hospitais referiram que elas não estão sendo localizadas para compra. Estes produtos estão com aumento próximo a 200%”, denunciou a diretora de Suprimentos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em nome da Associação Nacional de Hospitais Privados, Leonisa Obrusnik.

Por sua vez, o consultor de Assistência Farmacêutica do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Heber Dobis Bernarde, disse que pelo menos 11 medicamentos estão em falta em mais da metade das secretarias estaduais de saúde. “Isso é muito grave. A falta de medicamentos para sedação, anestesia e medicamento para relaxamento muscular podem inviabilizar o processo da sedação para ventilação mecânica”, disse.

As razões apontadas para a crise incluem o ineditismo da pandemia de Covid-19 com o consequente aumento da demanda por insumos e medicamentos, além da alta do dólar e da dificuldade com frete em um momento de paralisação das atividades econômicas.

Os gestores, disse a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), relatora da comissão externa, não estão adquirindo medicamentos não por falta de recurso, mas por medo de serem responsabilizados por superfaturamento. “Eles poderão responder, em um futuro próximo, aos órgãos de controle externo.”

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