Local de contravenção, Feira do Rolo se torna cibernética e vende notas falsas e CNH pelo facebook

Autor: Aratu Online

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Foto: Arte – Leow Lopes | Aratu Online

Do Aratu Online, parceiro do Simões Filho Online

Tradicional como local para comercialização de produtos de origem controversa ou mesmo sem procedência, a Feira do Rolo, na Baixa do Fiscal, ganhou um espaço virtual — com mesmo nome.

Os produtos, de variedade significativa, agora podem ser negociados no conforto de casa. Basta o usuário se cadastrar no grupo Mercado Livre – Cidade Baixa e Feira do Rolo – Salvador no Facebook. Não há comprovação, no entanto, que os organizadores da feira sejam os mesmos que administram o fórum virtual.

Lá, tem de tudo. Desde cuecas réplicas da Calvin Klein (30 unidades custando R$ 13), até aluguel e venda de casas no Litoral Norte do estado. Mas, o que prevalece mesmo são os aparelhos celulares. O iPhone 6s nas lojas de departamento custam quase R$ 3 mil, na feira virtual, contudo, o cliente leva por menos de R$ 1 mil.

O Samsung J2 com tela trincada, mas que, segundo descrição do vendedor, “funciona direitinho” sai por R$ 200. São R$ 400 a menos que o comercializado nos shoppings.

Todas as ofertas são anunciadas abertamente no grupo, sem restrições. O único obstáculo é fazer parte dele. Isso porque o espaço é fechado e o interessado precisa receber convite de um membro e ser aprovado pelo administrador da página.

JEITINHO BRASILEIRO

São incontáveis também os anúncios de falsificação do histórico escolar, do certificado de conclusão do ensino médio, da carteira de motorista e de cédulas de dinheiro falsas por — creia! — até R$ 1. Além dos pontos de TV por assinatura vendidos a preços bem abaixo do mercado e a retirada de restrição no CPF de pessoa física por R$ 350.

Veja alguns flagrantes abaixo:

O falsário O. A., por exemplo, frauda carteira de motorista por R$ 900 desde 2015. O Aratu Online se passou por um falso interessado e ele deu detalhes de como é o processo de negociação.

“A gente faz todas as categorias. O interessado deposita a entrada, envia os documentos necessários – uma foto igual à identidade, CPF frente e verso, uma foto 3×4 atual e endereço com CEP – e pronto! Eu faço a habilitação e antes de mandar para o cliente, mando uma foto da CNH pronta e assinada”, explica.

Quanto ao valor, O. A. costuma pedir uma entrada de R$ 300 e dividir o restante em até quatro vezes no boleto. Ainda de acordo com ele, o serviço inclui retirada de multas e fica pronto em, no máximo, uma semana.

Veja trecho do nosso diálogo com ele abaixo:

Já J. S. negocia cédulas falsas de R$ 20, R$ 50 e R$ 100 cobrando apenas R$ 1. Sem qualquer cuidado, porém, a foto do perfil do falsificador no facebook é exposta e o post anunciando a ilegalidade do negócio circula no grupo no modo público.

“É uma ‘mão na roda’ para os clientes. Todo mundo ganha. Geralmente quem chega para mim se queixa de dívidas e estão desesperadas”. No post, J. S. dá detalhes sobre a confecção das notas: “Feita no papel moeda. Quase 100% perfeitas. Nem caneta, nem luz negra detecta”, gaba-se.

Sobre os históricos escolares, ao Aratu Online, o Ministério da Educação garantiu que faz supervisão constantemente nas instituições, por meio da Secretaria de Regulação e Supervisão do Ensino Superior. Neste caso, porém, a instituição informou que, por se tratar de um post de Facebook de uma pessoa física, o caso passa a ser de responsabilidade da polícia. E completou ressaltando que “o MEC não tem poder de polícia nem de Justiça para punir criminalmente”.

A reportagem do Aratu Online vai enviar todos as provas coletadas para a Delegacia Especializada de Repressão Aos Crimes Por Meio Eletrônico para ajudar a identificar os possíveis criminosos e pessoas que contratam este tipo de serviço.

Pelo artigo 297, do Código Penal, falsificar documento público ou alterar o verdadeiro é crime, com pena prevista de dois a seis anos, além de multa.