Lula será interrogado nesta quarta pela primeira vez depois de ter deixado a prisão

Autor: Redação com UOL

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará nesta quarta-feira (19/2) de uma audiência na Justiça pela primeira vez desde que deixou a prisão, em novembro do ano passado. Ele será interrogado no processo em que é réu por suspeita de participação em um esquema envolvendo uma MP (Medida Provisória).

De acordo com a publicação do site UOL, o petista será ouvido nesta tarde pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. O interrogatório aconteceria na semana passada, mas por pedido de Lula em razão de sua audiência com o papa Francisco no Vaticano, foi adiado para hoje.

MP gerou processo

Lula é acusado de ter cometido o crime de corrupção passiva. Em 2009, o governo do então presidente editou a MP 471, que beneficiava empresas do setor automobilístico, um dos pontos investigados pela Operação Zelotes. A Procuradoria, porém, diz que a medida envolveu a promessa de pagamentos de vantagens indevidas a intermediários do esquema e a agentes políticos. Nos anos de 2003 e 2010 Lula foi presidente da república. Entre os beneficiados, estariam Lula e seu chefe de gabinete, o ex-ministro Gilberto Carvalho, outro réu na ação. Segundo a denúncia, os dois receberam a promessa de R$ 6 milhões em pagamentos indevidos em contrapartida à edição da MP. A verba teria como destino campanhas eleitorais do PT. Para a Procuradoria, a MP 471 teve “andamento atípico”, tendo passado por três ministérios em apenas um dia: 19 de novembro de 2009. No dia seguinte, a medida foi publicada no Diário Oficial. A denúncia foi oferecida em 2017.

“Absurdo”

Lula e Carvalho sempre negaram as acusações. A defesa do ex-presidente diz que os trâmites da MP “foram absolutamente corretos” e que há uma perseguição política contra ele. Já Carvalho qualificou a ação como um “completo absurdo”. “Essa Medida Provisória correspondia a um plano do governo de fazer a descentralização das empresas automobilísticas, de estimular a instalação delas no Nordeste e no Centro-Oeste”, disse o então chefe de gabinete ao UOL na ocasião.