Motoristas e passageiros revelam momentos de terror durante ataques em Simões Filho

Autor: Com informações do Correio

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Tudo começou por volta 4h30, quando bandidos atearam fogo em dois ônibus em Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador. O crime aconteceu na  Avenida Elmo Cerejo Farias, no Largo do CIA 1, próximo aos pontos de ônibus em frente a UPA. Às 8h30, um micro-ônibus também foi incendiado no bairro do Laboré.

Um dos ônibus incendiados fazia a linha Simões Filho-Barra e tinha cinco passageiros quando trafegava pela via. O motorista, que não quis se identificar, contou que foi fechado por um veículo palio branco quando desceram do carro quatro homens fortemente armados com pistolas. “Eles chegaram xingando e colocaram logo a arma na minha cabeça. Jogaram gasolina próximo ao motor que chegou até a cair no meu sapato e na barra da minha calça. Foi um terror. A primeira coisa que eu fiz quando percebi um movimento estranho foi abrir a porta do ônibus para que os passageiros pudessem sair”.

O motorista que roda há 14 anos nesta linha já havia sofrido assaltos, mas disse que nunca tinha passado por este tipo de situação. “Foi a pior experiência que tive na minha vida. Fui parar na UPA. Não tive mais condições de trabalhar. A única coisa que dá vontade é de chorar”, ressaltou.

Um dos despachantes da empresa de ônibus que trabalharam pela manhã assegurou que mesmo com o clima de insegurança, as linhas não deixaram de rodar pela manhã, mas que a falta dos veículos da frota comprometeu o cumprimento dos horários. “A gente sempre corre risco. A situação é de total insegurança. Não chegamos a parrar de circular só que sem os carros que foram incendiados na linha tiveram atrasos”.

Medo
A professora Jamile Torres, de 24 anos, participava de um culto na igreja e voltava para casa quando viu os ônibus sendo incendiados ainda de madrugada. “Fiquei muito assustada e corri para dentro de casa. A gente chegou a ouvir também uns barulhos parecendo explosão logo que o ônibus começou a pegar fogo”, relata.

Um morador – que também preferiu não se identificar – é mais um que admite o estado de insegurança. “A gente se sente coagido quando acontece esse tipo de coisa. Ficamos reféns”, lamenta.

Um supermercado localizado próximo a um dos pontos de ônibus, deixou para abrir as portas depois das 8h. “Abrimos o mercado mais tarde por causa disso. Era melhor deixar a poeira baixar depois de tudo que aconteceu de madrugada”, garantiu um dos funcionários do estabelecimento.  Outras lojas comerciais da área funcionaram normalmente durante a manhã de sábado.

Represália
O policiamento na região foi reforçado com a ajuda da Rondesp e helicópteros da policia também passaram a manhã sobrevoando a área. Para a polícia, o ato teria sido uma resposta de bandidos à morte de um traficante na Pitaguinha, área próxima onde ocorreu os ataques. Por volta das 19h de ontem (14), cerca de 15 homens armados começaram receberam uma guarnição da PM a tiros durante uma ronda no local. Houve confronto e Bruxo foi morto durante a troca de tiros.

As investigações sobre os ataques aos coletivos estão sendo realizadas pelas unidades policiais da capital baiana e Simões Filho, com o apoio do Grupo Especial Repressão a Roubos em Coletivos (Gerrc) e da Superintendência de Inteligência da SSP.

*Com informações do Correio