Polícia não confirma tese de que jovem foi morto em reação a assalto

Três vigilantes que trabalhavam naquele horário foram intimados a comparecer para prestar depoimento no DHPP

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Depois de analisar as imagens de oito câmeras do circuito interno de segurança da Faculdade Área 1, na Avenida Paralela, a Polícia Civil deverá receber, nesta quarta-feira (22), o conteúdo de dezenas de outras câmeras instaladas no campus, para esclarecer as circunstâncias em que o adolescente Railan da Silva Santana, de 17 anos, foi baleado, na tarde desta terça-feira (21), no interior do estabelecimento de ensino.

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, nas imagens já analisadas, o jovem aparece entrando pela portaria principal da faculdade, às 8h44min, acompanhado de outro rapaz, ambos carregando mochilas e aparentando tranquilidade. A mesma câmera registra, em outro momento, a entrada de um homem que depois foi filmado por uma câmera interna, portando uma arma. Funcionários da faculdade que acompanharam a análise das imagens, não reconheceram os dois rapazes e nem o homem, que aparece armado, como alunos da instituição.

A delegada Marilene Lima, que coordenou a equipe do Serviço de Investigação de Local de Crime (SILC), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), disse que é muito cedo para qualquer afirmação sobre o que houve. Segundo ela, somente a análise das imagens restantes e o resultado dos laudos periciais produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) poderão revelar o que de fato aconteceu.

O material analisado mostra também o momento em que Railan entra correndo, já ferido, num banheiro instalado no 2º subsolo do prédio da faculdade. Um rastro de sangue foi encontrado pela perícia partindo do estacionamento exclusivo para motocicletas, que fica no andar de cima, até o banheiro onde ele foi encontrado. A arma que estava com ele foi apreendida por policiais militares da 82ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) e apresentada no DHPP.

Railan chegou a ser socorrido pelos policiais para o Hospital Roberto Santos, mas deu entrada na unidade sem sinais vitais. “Apenas o laudo pericial vai esclarecer se ele morreu ainda na faculdade ou no trajeto para o hospital”, explicou a delegada. Ela também espera que as imagens a serem analisadas mostrem o destino do homem armado e do companheiro de Railan, após o crime.

Três vigilantes que trabalhavam naquele horário foram intimados a comparecer, nesta quarta-feira (22), para prestar depoimento no DHPP, que também quer saber da instituição de onde partiram as informações dando conta de que um policial teria reagido a um assalto do lado de fora da faculdade, conforme nota distribuída à imprensa, o que até o momento não foi comprovado. O advogado da instituição já entrou em contato com o DHPP e disse que a faculdade vai colaborar com as investigações.

Uma tia de Railan, com quem o adolescente morava desde os dois anos, compareceu ao local, e foi ouvida também pela delegada Marilene Lima. A mulher informou que o garoto estudava no Colégio Manoel Novaes, no período da tarde, e que na manhã de hoje (21), teria saído para resolver problemas, sem dar detalhes que pudessem elucidar o que ele fazia no local. Ela também será intimada para prestar depoimento.

*Aratu Online