Prefeitura de Simões Filho humilha mães de crianças com microcefalia; “Transportadas em Kombi velha, faltam fraldas, medicamentos, falta tudo”

FALTA TUDO

Autor: Redação

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Mudar a rotina inteira de uma família para se adaptar ao convívio com uma criança portadora de microcefalia não é fácil, imagine em uma cidade que não oferece o mínimo de subsídio, ou assistência social para garantir um pouco mais de dignidade e qualidade de vida para essas crianças.

Assim tem vivido um grupo de mães, que tiveram seus bebês acometidos por essa patologia em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, onde diariamente, essas guerreiras enfrentam as mais diversas dificuldades para manterem os tratamentos de seus pequeninos. [Veja em detalhes o sofrimento dessas mães]

Em contato com a reportagem do SIMÕES FILHO ONLINE, algumas dessas mães expuseram o quanto tem sido difícil encontrar apoio da Prefeitura Municipal de Simões Filho para deslocar seus filho até as unidades de saúde da capital baiana, onde são oferecidos acompanhamentos com profissionais ligados ao desenvolvimento motor e neurológico das crianças portadoras de microcefalia.

De acordo com a dona de casa Juliane Santos, 24 anos, mãe da pequena Cassia Santos, de 3 anos, nesta semana, o carro que faz o transporte dos pequenos acabou ficando sem gasolina e o serviço só não foi interrompido por que o motorista, por conta própria resolveu arcar com o abastecimento do veículo.

Segundo a mãe, não é fácil acordar às 04h da manhã com uma criança pequena para ir a um tratamento de saúde e ao chegar no local combinado ser comunicado que, por falta de combustível as crianças não poderão ser transportadas. Para ela, as únicas prejudicadas nessas circunstâncias são as crianças.

“O prefeito não está nem aí, subindo e descendo no carro dele, com direito a ar condicionado, enquanto os pequeninos são obrigados a andar no calor”.

Juliane ainda chama a atenção para as promessas feitas pela deputada estadual eleita Kátia Oliveira, que segundo ela, no período de campanha assumiu o compromisso de ajudar o grupo com microcefalia, mas depois de ingressar na Assembleia Legislativa, “simplesmente sumiu e nem uma ligação dessas mães ela atende mais”.

E os problemas vão muito além do transporte precário. Faltam, por exemplo, fraudas descartáveis, medicamentos e principalmente suporte para a locomoção das crianças em casa, como caldeiras de rodas e outros equipamentos.

Para Juliane, isso tudo só comprova a incompetência da gestão, a falta de atenção e falta de amor ao próximo. Sem contar com o descaso do responsável pelo transporte, que segundo ela, fica com o aparelho celular desligado pela manhã, para não ser incomodado. “Isso porque não é o filho dele que está sendo exposto a essa situação”, diz ela.

Péssimo estado dos veículos

Juliane também relatou que, além da gasolina, a Kombi disponibilizada para transportar os pacientes está em péssimo estado. “Quando chove molha mais dentro do veículo do que fora, sem falar no calor insuportável dos dias de sol sem ar condicionado”, pontuou.

“Eu não aguento mais com tanto descaso da Prefeitura de Simões Filho. Nossos filhos estão abandonos no município. Toma vergonha na cara prefeito. Já se vão 2 anos de gestão para nada mudar”, desabafou Juliane.

 

 

Ainda em contato com o SIMÕES FILHO ONLINE, outra mãe, Valdineia Santos, de 37 anos falou sobre as condições precárias do transporte. Sua filha Sabrina Santos, de apenas 3 anos, também enfrenta uma dura e triste realidade.

“Não é a primeira vez que falta gasolina e o motorista precisa colocar do bolso dele com pena da gente para as crianças não ficar sem atendimento. A gente enfrenta vários outros problemas em Simões Filho. A gente precisa de cadeira de rodas, cadeiras de banho, fraldas e outras coisas mais”, disse Valdineia.

“A gente não recebe o apoio que deveria ter, ao menos um carro com o mínimo de conforto para oferecer para as crianças, que andam no sol quente. As vezes a gente enfrenta engarrafamento e tudo isso é ruim para elas. Elas chegam em casa agitadas, nervosas, aí acaba tendo crises convulsivas, tudo por causa do enfrentamento de tudo isso no dia-a-dia”, revela.

No total são 9 famílias com casos de microcefalia em Simões Filho que deveriam receber assistência da prefeitura. Contudo, o que se vê é o desaso e a falta de compromisso da gestão municipal.