PRF e Gaeco desarticulam quadrilha especializada em alteração de carros na Bahia

Autor: Redação

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Foto: Divulgação / PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, deflagraram no início da manhã desta quarta-feira (21), a Operação Raptores.

A operação conta com o trabalho de 150 policiais rodoviários federais.  A ação cumpre 36 mandados de prisão, busca e apreensão no Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais. .

De acordo com a PRF, a investigação mostrou que a quadrilha praticava várias irregularidades: adulteração irregular em veículos de carga (inserção de eixo, ampliação ou redução do chassi), transformações e alterações cadastrais de veículos no RENAVAM, retirada de restrição administrativa e/ou judicial sem devida vistoria, supressão de restrição de grande monta, comércio de Certificado de Registro de Veículo para legalizar veículos com restrição judicial ou de roubo/furto, adulteração de elementos de identificação veicular etc.

Assim, além de possibilitar o comércio de veículos furtados/roubado, o esquema aumentava a capacidade de carga dos veículos de forma ilegal e sem passar por critérios e exigências técnicas dos órgãos de fiscalização levando risco para a estrada. Essas alterações afetavam partes importantes dos veículos como freios, pneus e eixos.

A quadrilha usava eixos e peças de carretas já envolvidas em acidentes, desgastadas e com problemas estruturais irreversíveis, para fazer as adulterações. Documentos de um reboque de carro de passeio foram usados para fazer a adulteração para que servisse em uma carreta.

Os envolvidos contavam com a ajuda de funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) em Minas Gerais e na Bahia, que tinham uma tabela de preço para cada serviço, desde a adulteração de dados no sistema e fornecimento de documentos falsificados.

Mais de 570 carretas alteradas por essa quadrilha foram identificadas, destas 128 com alterações / adulterações feitas na Bahia e 368 em Minas Gerais. A PRF registrou no Espírito Santo 1.264 acidentes com esses veículos adulterados, resultando na morte de 123 pessoas.

Entre os acidentes está o maior da história do Espírito Santo, que matou 23 pessoas na BR-101, em Guarapari. Ocorrido na madrugada do dia 22 de julho de 2017, na BR 101 em Guarapari, a tragédia envolveu duas ambulâncias, uma carreta carregada de pedras e um ônibus de viagem que, na colisão, pegou fogo e ficou completamente destruído. O levantamento preliminar da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na época já apontava que uma falha mecânica na carreta que carregava toneladas de pedras – possivelmente a quebra de algum dos eixos – teria provocado o acidente.