“Quem sou eu para apontar Kátia Vargas”, diz mãe de Emanuel e Emanuelle após manutenção de júri

Autor: Aratu On

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“Mantenho minha esperança na Justiça”. São com essas palavras que Marinúbia Soares, mãe dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes – mortos durante um acidente de trânsito envolvendo a médica Kátia Vargas Leal -, definiu a decisão de 10 desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) que manteve a absolvição da acusada nesta quarta-feira (2/10).

“Quem sou eu para apontar Kátia Vargas. Muitas mães todos os dias estão no meu WhatsApp, no metrô, me abraçam dizendo: ‘mãe, lute’. Essas mães confiam nesses homens [do TJ]. Deem o voto que quiser. Todos os dias eu peço a Jesus: ‘se Kátia Vargas não tocou nos meus filhos, que o senhor dê absolvição, mas se tocou que seja responsabilizada’. Nós dependemos de vocês TJ”, disse.

Muito emocionada, Marinúbia disse que confia no trabalho da imprensa. “Eu fico chateada quando falam da mídia. A mídia é a voz do povo, têm que passar a decisão deles e a lágrima das mães. A mídia não é mentirosa. Isso [de dizer que a mídia é ruim] partiu meu coração. Hoje, o TJ tem seus votos a favor de Kátia Vargas dizendo que se manteve a inocência. Não vou dizer que estou decepcionada, eu já esperava por isso pois sou uma mãe preparada”.

A mãe de Emanuel e Emanuelle relembrou o caso, que está prestes a completar seis anos. “Deus me livre, mas se fosse eu que tirasse a vida de duas pessoas estaria lutando para não ir para prisão. É natural, mas a única coisa que, quando não se sabe, a gente se cala. Quando vi meus filhos no caixão tive que deixar, eu disse: ‘a pessoa que fez uma coisa dessa não deve ter feito porque quis fazer, mas fez. Eu peço ao senhor que faça a tua Justiça meu pai, que abane o coração dessa mãe, dessa família e hoje o TJ tira de nós, na sua votação’. Nós não entendemos essa votação, que se mantenha a inocência cega”.

MULTA

Na última sexta-feira (27/9), a Justiça condenou Kátia Vargas a pagar R$ 600 mil aos pais dos irmãos. De acordo com a assessoria do TJ, o juiz Joanisio Matos Dantas Junior, da 5ª Vara Cível, entendeu que ela foi responsável pela colisão com a moto na qual estavam as vítimas. O magistrado analisou os laudos produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) e depoimentos.

Este processo tramitava na esfera cível, ou seja, não tem relação direta com esfera criminal, pela qual Kátia pode ser condenada, por exemplo, à prisão. Neste último caso, o Ministério Público da Bahia (MP-BA), luta para anular a decisão do júri popular que a considerou inocente, o que daria início a novo processo. Pelo menos quatro sessões marcadas para tratar do tema já foram adiadas.

JÚRI

O julgamento popular que absolveu a médica Kátia Vargas Leal Pereira foi mantido em decisão nesta quarta-feira, após votação de 10 desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

A informação foi confirmada pelo advogado de acusação, Daniel Keller. “O Tribunal, no primeiro momento, tinha anulado o júri e voltou-se atrás. Agora cabe recurso. Podemos ir ao Superior Tribunal de Justiça em Brasília, onde o caso será reanalisado. Respeito o voto de cada um. O promotor do Ministério Público também deve recorrer e vamos aguardar para ver o resultado desse recurso”.