‘Uma tragédia anunciada’, diz pai de ferida em incêndio de farmácia

Autor: Correio

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O incêndio que aconteceu na farmácia Pague Menos, em Camaçari, na tarde de quarta-feira (23), foi uma “tragédia anunciada”, segundo o mestre de obras José Vieira de Matos, pai de uma funcionária do local que ficou ferida no acidente. Ao todo, segundo o major Lanusse Araújo, seis pessoas morreram no incêndio. Outras 14 ficaram feridas.

“Essa foi uma tragédia anunciada. A minha filha me disse que a obra estava ocorrendo dessa forma e eu disse para ela que como estavam trabalhando com solda aquilo era um barril de pólvora, por conta do material de PVC. Pedi que ela trabalhasse nos caixas da frente, para que se tivesse qualquer coisa ela corresse”, conta ele, que acompanha a filha Cristiane da Silva Matos, 30 anos, no Hospital Geral de Camaçari (HGC).

Matos conta que há um mês ele foi consultado para fazer a reforma que acontecia hoje em um mezanino da farmácia. A obra é de manutenção e, segundo ele, envolvia a estrutura do prédio. Ele afirmou que disse aos responsáveis que só iria fazer a obra na condição de o local estar fechado, com somente com seus operários que estivessem trabalhando diretamente no serviço. “Era perigoso”, diz. Outra pessoa foi contratada e a obra começou, com os funcionários e clientes no andar de baixo normalmente.

Incomodado com o andamento da obra, Matos contou que foi na segunda-feira na Defesa Civil de Camaçari para denunciar a situação. Ele disse que no momento não havia um engenheiro para completar seu protocolo, mas que os dados foram anotados e ele foi informado de que o procedimento teria continuidade.

O motorista Sebastião Pereira Ramos, 65 anos, conta que foi na farmácia por volta das 10h30 e percebeu que havia algo errado. Segundo ele, o local estava cheio, com cerca de 30 pessoas na fila. Quando ele foi pagar sua compra, notou algo estranho. “A gerente da farmácia estava puxando as pessoas para se afastarem da região do fundo, porque estava caindo pingos de fogo da solda no chão. Cheguei a sinalizar que aquilo era perigoso. Por que a farmácia não estava fechada?”, questiona. Informações do Correio*